terça-feira, 2 de julho de 2013

2ª Cordada da via Rock in Rocks - conquista



Contrariando todas as previsões pessimistas, o final de semana apresentou-se com um tempo espetacular que pedia uma escalada. No sábado a noite, com um céu estrelado, e temperatura muito baixa, que garantia que o clima continuaria perfeito para o domingo. Uma rápida troca de mensagens por telefone e os pré planos da semana se confirmam.
As seis da manha já estávamos saindo de casa, eu e a Jú (Juliana de Souza), rumo ao Morro da Mina na comunidade de São Pedro ( será que foi por isso que a previsão de toda a semana mudou completamente? São Pedro estava a nosso favor?). Onde nos encontramos com, Thiago (Meister), Elias (Caetano), o Elton e o Caio(filho do Thiago).
Ficamos um tempo a frente da escolinha que serve de sede do Projeto Felinos do Aguai, aguardando a possivel chegada do Zig e da Aline. Nesse meio tempo chegaram o Marlon e a Lara, que iam fazer uma “bate e volta” na trilha dos Tropeiros. Como o Zig e a Aline não chegaram, decidimos seguir em frente devido ao adiantado da hora.
A subida da trilha, que geralmente leva cerca de uma hora, hoje demorou um pouco mais. Já no inicio a passagem pelos dois braços do rio que cortam a estrada de acesso estavam cheios. No segundo não teve como passar sem se molhar. Quem ficou mais confortável foi a Jú e o Caio, que foram “porteados” nas minhas costas e do Thiago.
A trilha em si estava quase impraticável, em vista das vezes anteriores que estivemos por lá. Uma lama acumulada por vários dias de chuva na semana anterior e toda pisoteada pelo gado que vive por ali, nos deu muito trabalho, além de aumentar o cansaço e nos forçar a diminuir a macha. Resultado: chegamos na base quase 11 horas.
Como era quase meio dia, decidimos antecipar o almoço (lanche reforçado) e partir logo para a ação. Havia a possibilidade de reconhecer uma outra linha, vista pelo Thiago dias atras. Mas o adiantado da hora nos fez optar por continuar a segunda cordada da via Rock in Rocks Iiniciada pelo Zig), que já haviamos iniciado em outra investida.
O Thiago seguiu guiando a primeira cordada, uma belissíma fenda em móvel (7ª ???). Em seguida jumariei limpando a via ( era a melhor estratégia devido a nossa pressa). Enquanto isso o Elias já ia passando mais material para o Thiago, pela “retinida” que fixamos na primeira parada. Quando cheguei o Thiago já estava pronto  pra guiar.
Enquanto eu e o Thiago estavamos esclado o Elias e o Elton, iam fazendo um trabalho de “paisagismo” na base da via. Eles transformaram (literalmente) o local, deixando a base muito confortável. Enquanto a Jú se incumbia do apoio “gastronomico”, chegando ao requinte de no final da 2ª cordada, recebermos um delicioso Angu doce pela retinida.
A escalada não foi das mais fáceis, tivemos a oportunidade de conhecer “in loco” a descrição que o Eduardo Prestes nos fez uma vez sobre uma característica do arenito da serra: “O arenito tinha uma “casca” por fora, queimada pelo sol”. Em nossa investida encontramos justamente isso, uma casca muito seca e quebradiça, muito delicada.
Esse trecho foi vencido com dois pitons, uma peça #.3 e uma chapa fixa (extremamente necessária). Depois desse trecho o Thiago “virou” pra cima de um plato, que não tinha nada de fácil também. Segundo ele “um monte de blocos de Lego amontoados”. Mas que dava acesso a uma fenda que parecia muito promissora para seguir em livre.

Ai ficamos muito contentes pois havia se aberto uma possibilidade de chegarmos ao “teto” no fim da fenda, que seria nosso objetivo do dia, ainda com a possibilidade de batermos uma parada dupla e de, eu subir “limpando” a via e assim completarmos a investida como haviamos planejado.
O Thiago venceu o primeiro trecho dessa fenda com alguma dificuldade ( 7º talvez 7a), com colocações um pouco dificeis mas bem sólidas. Mas como tudo na Serra é um pouco diferente, logo acima um problema se apresentou, a virada de uma barriga que joga o corpo para a esquerda, fazendo o escalador “abrir” como se fosse uma porta.
Devido ao cansaço da escalada anterior, e o esforço feito até ali (já estavamos a quase tres horas na parede), tudo isso somado ao adiantado da hora, decidimos que o restante seria “tocado” em artificial. O que também não foi muito simples, levando ainda mais de meia hora pra chegar ao teto que era nosso objetivo. Faltava ainda fixar a parada.
Assim que chegou ao teto, por uma fendinha de dedos só com peças pequenas, o Thiago se preparou para bater a parada. Foi ai que recebemos aquele reforço “gatronomico”. A Jú preparou um Angu de farinha de milho,com açucar e leite, que chegou pra im e pro Thiago através das nossas retinidas, e deu aquele “Up” depois de tres horas de parede.
A parada ficou só com uma chapa ( de parada Bornier) com um bolt de 13 cm em uma rocha bem firme. Devido ao adiantado da hora, quase 17:00, decidimos que eu não escalaria, o Thiago desceria “de baldinho” limpando a via. Minha escalada ficou pra proxima investida. Deixamos cordas fixas, nas duas paradas, pra agilizar.
O retorno pela trilha foi quase totalmente no escuro já, alias como todas as nossas ultimas investidas. A travessamos o rio, eu e o Thiago “porteando” a Jú e o Caio novamente. O Elias e o Elton já haviam descido na frente pois estavam sem lanternas. Chegamos nos carros por volta de 19:00. A via esta com cerca de 50 metros até agora.
Fotos: Elias Caetano, Juliana de Souza e Tony Provesano