Contrariando todas as previsões
pessimistas, o final de semana apresentou-se com um tempo espetacular que pedia
uma escalada. No sábado a noite, com um céu estrelado, e temperatura muito
baixa, que garantia que o clima continuaria perfeito para o domingo. Uma rápida
troca de mensagens por telefone e os pré planos da semana se confirmam.
As seis da manha já estávamos saindo de casa, eu e a Jú (Juliana de Souza), rumo ao Morro da Mina na
comunidade de São Pedro ( será que foi por isso que a previsão de toda a semana
mudou completamente? São Pedro estava a nosso favor?). Onde nos encontramos
com, Thiago (Meister), Elias (Caetano), o Elton e o Caio(filho do Thiago).
Ficamos um tempo a frente da
escolinha que serve de sede do Projeto Felinos do Aguai, aguardando a possivel
chegada do Zig e da Aline. Nesse meio tempo chegaram o Marlon e a Lara, que iam
fazer uma “bate e volta” na trilha dos Tropeiros. Como o Zig e a Aline não
chegaram, decidimos seguir em frente devido ao adiantado da hora.
A subida da trilha, que
geralmente leva cerca de uma hora, hoje demorou um pouco mais. Já no inicio a
passagem pelos dois braços do rio que cortam a estrada de acesso estavam
cheios. No segundo não teve como passar sem se molhar. Quem ficou mais
confortável foi a Jú e o Caio, que foram “porteados” nas minhas costas e do
Thiago.
A trilha em si estava quase
impraticável, em vista das vezes anteriores que estivemos por lá. Uma lama
acumulada por vários dias de chuva na semana anterior e toda pisoteada pelo
gado que vive por ali, nos deu muito trabalho, além de aumentar o cansaço e nos
forçar a diminuir a macha. Resultado: chegamos na base quase 11 horas.
Como era quase meio dia,
decidimos antecipar o almoço (lanche reforçado) e partir logo para a ação.
Havia a possibilidade de reconhecer uma outra linha, vista pelo Thiago dias
atras. Mas o adiantado da hora nos fez optar por continuar a segunda cordada da
via Rock in Rocks Iiniciada pelo Zig), que já haviamos iniciado em outra investida.
O Thiago seguiu guiando a primeira
cordada, uma belissíma fenda em móvel (7ª ???). Em seguida jumariei limpando a
via ( era a melhor estratégia devido a nossa pressa). Enquanto isso o Elias já
ia passando mais material para o Thiago, pela “retinida” que fixamos na
primeira parada. Quando cheguei o Thiago já estava pronto pra guiar.
Enquanto eu e o Thiago estavamos
esclado o Elias e o Elton, iam fazendo um trabalho de “paisagismo” na base da
via. Eles transformaram (literalmente) o local, deixando a base muito
confortável. Enquanto a Jú se incumbia do apoio “gastronomico”, chegando ao
requinte de no final da 2ª cordada, recebermos um delicioso Angu doce pela
retinida.
A escalada não foi das mais
fáceis, tivemos a oportunidade de conhecer “in loco” a descrição que o Eduardo
Prestes nos fez uma vez sobre uma característica do arenito da serra: “O
arenito tinha uma “casca” por fora, queimada pelo sol”. Em nossa investida
encontramos justamente isso, uma casca muito seca e quebradiça, muito delicada.
Esse trecho foi vencido com dois
pitons, uma peça #.3 e uma chapa fixa (extremamente necessária). Depois desse
trecho o Thiago “virou” pra cima de um plato, que não tinha nada de fácil
também. Segundo ele “um monte de blocos de Lego amontoados”. Mas que dava
acesso a uma fenda que parecia muito promissora para seguir em livre.
Ai ficamos muito contentes pois
havia se aberto uma possibilidade de chegarmos ao “teto” no fim da fenda, que
seria nosso objetivo do dia, ainda com a possibilidade de batermos uma parada
dupla e de, eu subir “limpando” a via e assim completarmos a investida como
haviamos planejado.
O Thiago venceu o primeiro trecho
dessa fenda com alguma dificuldade ( 7º talvez 7a), com colocações um pouco
dificeis mas bem sólidas. Mas como tudo na Serra é um pouco diferente, logo
acima um problema se apresentou, a virada de uma barriga que joga o corpo para
a esquerda, fazendo o escalador “abrir” como se fosse uma porta.
Devido ao cansaço da escalada
anterior, e o esforço feito até ali (já estavamos a quase tres horas na
parede), tudo isso somado ao adiantado da hora, decidimos que o restante seria
“tocado” em artificial. O que também não foi muito simples, levando ainda mais
de meia hora pra chegar ao teto que era nosso objetivo. Faltava ainda fixar a
parada.
Assim que chegou ao teto, por uma
fendinha de dedos só com peças pequenas, o Thiago se preparou para bater a
parada. Foi ai que recebemos aquele reforço “gatronomico”. A Jú preparou um
Angu de farinha de milho,com açucar e leite, que chegou pra im e pro Thiago
através das nossas retinidas, e deu aquele “Up” depois de tres horas de parede.
A parada ficou só com uma chapa (
de parada Bornier) com um bolt de 13
cm em uma rocha bem firme. Devido ao adiantado da hora,
quase 17:00, decidimos que eu não escalaria, o Thiago desceria “de baldinho”
limpando a via. Minha escalada ficou pra proxima investida. Deixamos cordas
fixas, nas duas paradas, pra agilizar.
O retorno pela trilha foi quase
totalmente no escuro já, alias como todas as nossas ultimas investidas. A
travessamos o rio, eu e o Thiago “porteando” a Jú e o Caio novamente. O Elias e
o Elton já haviam descido na frente pois estavam sem lanternas. Chegamos nos
carros por volta de 19:00. A via esta com cerca de 50 metros até agora.
Fotos: Elias Caetano, Juliana de Souza e Tony Provesano
Fotos: Elias Caetano, Juliana de Souza e Tony Provesano

















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