Mais uma vez o ritual se repete,
porém dessa vez a chegada do frio dificultou mais minha tentativa de me
levantar as 05:00 desse friorento domingo, dia 23 de junho. Mas a expectativa
de estar partindo, juntamente com o Thiago “Tatu” Meister, rumo a Serra do
Corvo Branco, com a intenção de realizar alguns reconhecimentos e conquistar
algo.
A viagem de carro foi tranquila,
levamos cerca de duas horas de Criciuma até o “Corte” da Serra do Corvo Branco.
O “Corte” é como chamamos o corte feito na estrada, bem no meio da montanha, e
que liga Urubici a Grão Pará. Este corte é considerado o maior corte vertical
para rebaixamento de estradas em todo o Brasil.
Estacionamos o carro a cavaleiro
da estrada, depois do corte, onde havia um Trailer, puxado a Trator, que comporta
uma Lanchonete ambulante, um ótimo atrativo para os visitantes desse belo carão
postal catarinense. (obs:funciona de sexta a domingo somente no inverno).
Seguimos, a pé, em direção as curvas da subida da Serra.
Após um bom reconhecimento dos
arredores, para uma outra empreitada futura, retornamos ao carro proximo do
meio dia. Comemos alguma coisa e rapidamente iniciamos a separação dos equipos
para iniciar uma conquista em uma linha que visualizamos ao lado da estrada.
Mais tarde veriamos que tomamos uma decisão errada.
Equipados, seguimos novamente a
pé até a base de nossa nova via. O
Thiago foi de primeiro. O lance inicial não poderia ser mais natural: Um
pequeno buraco, provavelmente feito por um pássaro, que cabia certinho um Clif.
A segunda peça foi um Piton bem marginal em uma fenda horizontal que apontava
para baixo.
A partir daí vimos que a
qualidade da rocha ditaria o grau da via. A terceira peça foi um .75 colocado
na fenda de uma laca com uns 5
cm de espessura, mas que quebrou somente com a força das
molas, Foi necesário quebrar a laca cerca de uns 30 a 40 cm e até ela ficar com uns
15 cm de
espessura, de tão esfarelento e fragil
que é o arenito ali.
Depois disso um pequeno plato se
paresentou, pra dar uma respirada ao Thiago, mas foi por pouco tempo, o tal
plato se apresentou tão firme quanto a laca abaixo dele, ou seja nada firme. Foi
ai que a imaginação foi posta a prova. Foi utilizado o batedor (com a broca) como a única peça possivel naquela
condição.
Depois deste lance as coisas
melhoraram bastante. Começou a surgir uma fendinha que deu bem pra colocar
peças pequenas, .3 e .4. Daí pra cima, depois de uma “viradinha” a fenda se
abriu em um perfeito entalamento de mãos que o Thiago mandou em livre, até a
base do teto em arco para a esquerda.
Nessa hora nos demos conta da
decisão errada que tomamos (comentei no inicio). Acabamos optando por levar
somente algumas peças que tinhamos, deixando outras no carro, e agora estas
peças estavam fazendo falta. Mas isso não desanimou o Thiago, que “retornou” um
pouco mais abaixo, tirou algumas peças e voltou ao teto.
Logo estava no final do “arco”,
como a noite já vinha chegando, decidimos bater ali uma chapa que serviria de
segurança para a virada do arco, inicio da segunda cordada e ponto de rapel.
Subi para limpar a via, tudo ia indo bem até chegar no teto, onde tive
problemas para sacar a peça que estava abaixo do teto.
O Thiago havia feito uma
equalização direcionadora para acessar o teto para evitar da peça pivotear e soltar.
Como ele teve de retirar algumas peças pra prosseguir, a utlima peça na entrada
do teto me deixou muito longe da peça
que ficou na fenda de baixo. De minha posição, por mais que me esticasse mal
conseguia alcançar a peça para saca-la.
Tentei várias formas de sacar a
peça, e não conseguia, como a noite já estava chegando, dei a idéia de o
Thiago, que tem bem mais envergadura que eu, jumarear e tentar tirar a peça.
Mesmo assim ainda foi bem dificil. O Thiago então limpou as peças que faltavam
até a parada e rapelou já na total escuridão. Terminamos assim a empreitada do
dia.
Em breve retornaremos para dar
proseguimento a conquista dessa via, que recebeu o nome de “Puma Reclamando” ,
por ser bem ao lado de outra via chamada “Puma Relinchando” em combinação com
nossas reclamações sobre a péssima qualidade da rocha nos primeiros trechos.

























Nenhum comentário:
Postar um comentário