segunda-feira, 24 de junho de 2013

Via "Puma Reclamando" Serra Corvo Branco Urubici SC



 

Mais uma vez o ritual se repete, porém dessa vez a chegada do frio dificultou mais minha tentativa de me levantar as 05:00 desse friorento domingo, dia 23 de junho. Mas a expectativa de estar partindo, juntamente com o Thiago “Tatu” Meister, rumo a Serra do Corvo Branco, com a intenção de realizar alguns reconhecimentos e conquistar algo.

A viagem de carro foi tranquila, levamos cerca de duas horas de Criciuma até o “Corte” da Serra do Corvo Branco. O “Corte” é como chamamos o corte feito na estrada, bem no meio da montanha, e que liga Urubici a Grão Pará. Este corte é considerado o maior corte vertical para rebaixamento de estradas em todo o Brasil.
 
 
Estacionamos o carro a cavaleiro da estrada, depois do corte, onde havia um Trailer, puxado a Trator, que comporta uma Lanchonete ambulante, um ótimo atrativo para os visitantes desse belo carão postal catarinense. (obs:funciona de sexta a domingo somente no inverno). Seguimos, a pé, em direção as curvas da subida da Serra.
 
Após um bom reconhecimento dos arredores, para uma outra empreitada futura, retornamos ao carro proximo do meio dia. Comemos alguma coisa e rapidamente iniciamos a separação dos equipos para iniciar uma conquista em uma linha que visualizamos ao lado da estrada. Mais tarde veriamos que tomamos uma decisão errada.
 
 
Equipados, seguimos novamente a pé até a base de nossa nova via. O  Thiago foi de primeiro. O lance inicial não poderia ser mais natural: Um pequeno buraco, provavelmente feito por um pássaro, que cabia certinho um Clif. A segunda peça foi um Piton bem marginal em uma fenda horizontal que apontava para baixo.
 
A partir daí vimos que a qualidade da rocha ditaria o grau da via. A terceira peça foi um .75 colocado na fenda de uma laca com uns 5 cm de espessura, mas que quebrou somente com a força das molas, Foi necesário quebrar a laca cerca de uns 30 a 40 cm e até ela ficar com uns 15 cm de espessura, de tão esfarelento e fragil  que é o arenito ali.
 
 Depois disso um pequeno plato se paresentou, pra dar uma respirada ao Thiago, mas foi por pouco tempo, o tal plato se apresentou tão firme quanto a laca abaixo dele, ou seja nada firme. Foi ai que a imaginação foi posta a prova. Foi utilizado o batedor (com  a broca) como a única peça possivel naquela condição.
 

Depois deste lance as coisas melhoraram bastante. Começou a surgir uma fendinha que deu bem pra colocar peças pequenas, .3 e .4. Daí pra cima, depois de uma “viradinha” a fenda se abriu em um perfeito entalamento de mãos que o Thiago mandou em livre, até a base do teto em arco para a esquerda.
 
 
Nessa hora nos demos conta da decisão errada que tomamos (comentei no inicio). Acabamos optando por levar somente algumas peças que tinhamos, deixando outras no carro, e agora estas peças estavam fazendo falta. Mas isso não desanimou o Thiago, que “retornou” um pouco mais abaixo, tirou algumas peças e voltou ao teto.
 
 
Logo estava no final do “arco”, como a noite já vinha chegando, decidimos bater ali uma chapa que serviria de segurança para a virada do arco, inicio da segunda cordada e ponto de rapel. Subi para limpar a via, tudo ia indo bem até chegar no teto, onde tive problemas para sacar a peça que estava abaixo do teto.
 
 
O Thiago havia feito uma equalização direcionadora para acessar o teto para evitar da peça pivotear e soltar. Como ele teve de retirar algumas peças pra prosseguir, a utlima peça na entrada do teto me deixou muito longe  da peça que ficou na fenda de baixo. De minha posição, por mais que me esticasse mal conseguia alcançar a peça para saca-la.
 
 Tentei várias formas de sacar a peça, e não conseguia, como a noite já estava chegando, dei a idéia de o Thiago, que tem bem mais envergadura que eu, jumarear e tentar tirar a peça. Mesmo assim ainda foi bem dificil. O Thiago então limpou as peças que faltavam até a parada e rapelou já na total escuridão. Terminamos assim a empreitada do dia.
 
Em breve retornaremos para dar proseguimento a conquista dessa via, que recebeu o nome de “Puma Reclamando” , por ser bem ao lado de outra via chamada “Puma Relinchando” em combinação com nossas reclamações sobre a péssima qualidade da rocha nos primeiros trechos.

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