05:00, o despertador toca, ainda esta escuro lá
fora, tento vencer a sono e vontade de continuar embaixo das cobertas, nessa
madrugada fria de domingo. Mas a vontade de escalar é muito maior. Há algum
tempo eu queria conhecer este novo setor (ainda sem nome) no Morro da Mina. O
"Morro" é uma imponente montanha, destacada das encostas da Serra
Geral, com muitas vias tradicionais e famoso por suas fendas.
Quando recebi a ligação do Thiago (Tatu) Meister,
me convidando para uma escalada no novo setor do "Morro" fiquei muito
contente. Marcamos de sair bem cedo, pra aproveitar o dia, tínhamos duas
estratégias. A primeira reconhecer uma linha nova, a segunda escalar algumas
das vias já abertas. Quando chegássemos lá decidiríamos.
As 07:00 já nos encontravamos em frente ao
Projeto Felinos do Agauí, nossa base de apoio para o Morro da Mina. Retornamos
cerca de 1 Km
a pé, até uma estrada que dá acesso ao lado leste da montanha. Uma antiga
estrada de retirada de madeiras, muito pisoteada pelo gado e bem lamacenta. Com
01:10 chegamos a base das vias.
Enquanto reconheciamos as vias existentes e pensavamos em uma provável linha a ser conquistada, chegaram o Zig a Aline e o
Rafael. Após uma rápida conversa e alguns betas do Zig, decidimos que eu e o
Thiago entrariamos na “Rock in Rocks (7ª sugerido), uma fenda de uns 35 metros. Fariamos a 1ª
cordada e depois abririamos a 2ª
cordada.
O Thiago entrou guiando comigo na seg. A fenda é
um pouco inconsistente no início, um arenito realmente esfarelento que solta
bastente sedimentos. O Thiago se esforçou bastante e apesar do grande esforço
que a via exige, encadenou toda ela de primeira. Atingiu o plato onde esta a
primeira parada e logo estava pronto pra me assegurar.
Entrei bem na via, fiz um posicionamento
diferente do Thiago, pois minha estatura é mais baixa, o que me dificultou as
coisas mais tarde também. A via se inicia bem no pé da parede, em um diedro,
com um entalamento de dedos a altura da cabeça e algumas agarrinhas de pé. Em
seguida se assessa um pequeno ressalto com outra fenda de frente.
Segui de frente para o vértice do diedro,
utilizando as duas fendas. A fenda principal (esquerda) se abre em um Off wind,
onde meus problemas começaram. Vi o Thiago fazer os lances em “tesoura”,
utilizando as duas fendas. No entanto a “envergadura” dele é muito maior que a
minha, e eu tive muita dificuldade de precisei de muita força.
Cai uma tres vezes até atingir dois terços da
via, logo acima estaria um excelente ponto de descanso, que caso eu acessasse
poderia recuperar as forças. Consegui colocar as duas mãos na parte superior do
bloco em questão, mas não tive forças para me “puxar”e tomei a terceira queda.
Fiquei pendurado um certo tempo, recuperando o
folego e as forças, e então decidi trocar de tática. Ao invés de repetir os
movimentos do Thiago, decidi utilizar o diedro e o Off wind em oposição. Com
movimentos curtos, pois a sapatilha escorregava muito, consegui assender a
fenda sem maiores porblemas e com pouco esforço.
Passei um pouco do bloco onde poderia descansar,
estiquei a perna e logo estava em pé sobre o bloco, respirando novamente. Nesse
momento o Thiago me disse que eu estava “travado” na seg e que iria dar uma
atenção pro Zig que estava escalando outra via do outro lado. Aproveitei pra
sentar, descansar e apreciar a vista e me recuperar.
Bem mas o que importa é a escalada, então! Me
preparei pro ultimo trecho da via, acessar o plato da parada. Mas antes mais um
desafio, uma fenda que acaba jogando o escalador para a esquerda, dificultando
a entrada nela. Após mais alguns momentos de perrengue, e muita força,
consegui, me reuni com o Thiago na parada.
Conversamos um pouco e, com a aprovação do Zig
(“dono” da via), decidimos iniciar a conquista da segunda cordada. O Thiago
entro em artificial com pitons, as unicas peças que foram eficazes naquele
arenido fraturado e delicado. Cerca de tres metros da parada o Thiago teve de
bater uam chapa, acima disso a pedra eé tão podre que desisitimos.
Abandonamos a conquista por falta de material,
necessitávamos de uma pistola com um selador químico pra pode realmente fixar
as ancoragens nesse ponto. Em breve voltaremos lá para dar continuidade a essa
via que tem tudo para ser uma das Grandes vias do Morro da Mina.
























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